segunda-feira, 19 de junho de 2017

jellyfish.

eu não sei se agora eu saberia listar todas as provas que já me deram de que eu sou difícil de ser amada.
e também só ser difícil.
mas talvez eu consiga falar que eu sou intensa demais pra ser fechada como deveria. ou talvez como você. eu tento, mas às vezes só transborda. 
e eu sempre estou transbordando.

talvez tudo isso seja só sobre minha insegurança vs. minha independência.

mas é que eu já não sei mais como é sentir teu gosto sem fazer bagunça.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

átrio.

me desculpa pela bagunça, pela quantidade de cabelos largados em você. eu estou aceitando que eu nunca vou ser dessas gurias de tumblr, eu nunca vou ser frágil, simples ou cor de rosa. me desculpa pensar demais em você, mas me deixa não devolver o que quer que seja. deixa eu trocar as coisas do lugar, deixa eu tirar o pó dos móveis e te invadir com a minha vontade. não se assusta. não vai embora. esquece aqui em casa mais que a camiseta. então não fica quieto e fala das cores e dos defeitos. e do seu peito. e se está satisfeito. e se eu estou fazendo direito.
fala baixinho o que você quer e eu entrego.
mesmo que bagunçado.
mesmo que seja certo ou errado.


you were a vision in the morning when the light came through
I know I’ve only felt religion when I’ve lied with you.

domingo, 4 de junho de 2017

lua crescente.

eu estou presa nas arestas dos teus olhos. e paralisada no meio do tempo quando esses olhos me olham. imobilizada esperando tua vontade tão delicada e meio misteriosa.

aliviada na nossa igualdade enquanto agimos como se tudo isso não existisse.

e toda minha fome dos teus beijos cheios de coisas não ditas. aguardando tua tranquilidade me preencher, pra cair na nossa sonolência recheada de cumplicidade.

terça-feira, 30 de maio de 2017

presente.

a lixeira eu não esvaziei. o peito eu já não sei, porque você sempre me pega com tanta leveza que eu quase não sei o que vai e o que fica. seu chuviscar continua mas as vezes vem uma neblina antiga me confundir. ou só forçar meu azedume.
não se trata de saudade ou infelicidade. é sempre sobre o emaranhado de coisa sem forma e sem fim, e sabe deus o que eu vou fazer com isso. sei que eu não tenho nada mais a entregar ao passado. mas também não sei se existe um futuro. e como eu vou entregar. se é que há uma entrega.
eu já tentei não pensar. já tentei pensar demais até gastar. não para de garoar e de fazer falta tua sutileza.
minha intensidade ainda tá aqui, dentro de mim, pegando fogo de vontade do teu corpo e dos teus beijos. mas eu não sou mais adolescente. eu não sou mais impressionável.

minhas pernas ainda tremem mas agora tem cheiro de gengibre.
ainda bem.


take off, take off
take off all your clothes.

domingo, 21 de maio de 2017

gengibre.

da minha passividade eu já mencionei.
da minha retração afetiva eu não te falei, mas pretendo um dia.
do meu hábito novo de me afundar no teu cheiro de bala e perfume, e ouvir tua respiração até dormir - eu não vou ficar com uma fita métrica tentando dar forma pra isso.
pra me retorcer gemendo baixinho nas tuas mãos delicadas, e mergulhar nos teus carinhos e elogios - não me peça arrependimento por todos os adjetivos, não me peça pudor mesmo que seja um precipício.
pra subir toda essa rampa suave e fluída, eu não preciso de fôlego.
só espero não estar podando o que quer que seja por toda essa minha ausência. ou agressividade.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

beladona.

sobre a garoa fininha que a gente acha que não molha mas a encharca a roupa. a garoa fininha que passa por mim agora. eu não sei se me demoro nela e me deixo encharcar. eu não sei se sigo meu caminho correndo tentando não me demorar.
porque você já me molhou, de qualquer forma.

o papel descolando da parede e meu medo repousando quieto no teu peito. minha dívida e minha incerteza das minhas certezas. e eu repito até não fazer sentido. te repito até minha fuga dar seu latido.
mas é fuga ou passividade?

"eu mudei porque a forma com que eu me relaciono mudou."


(I like you a lot)
putting on my music while I’m watching the boys
(so I do what you want)
singing soft grunge just to soak up the noise
(Blue Ribbons on ice)
playing their guitars, only one of my toys
(cause I like you a lot)
no holds barred, I’ve been sent to destroy

segunda-feira, 24 de abril de 2017

mar.

novamente a concha.
e eu me reconheço encerrada nessas paredes.
toda a realidade azul-marinho da redescoberta. de novo.
meus tentáculos soltos pela minha solidão.
e é salgado.
inóspito.
meu.
minha insegurança é a boia que me suga pra superfície que me faz oxidar e sufocar acuada.
e toda a falta de amor da minha vida permanece afogada. como um navio naufragado que uma hora ou outra acaba virando parte de mim.
cardumes de peixes coloridos às vezes aparecem feito entidades que podem me levar pra maldita superfície se eu me deixar levar distraída. coloridos e normalmente nocivos. eu não vou atrás. eu não posso ir.

eu vou continuar nadando.
afundada na minha tranquilidade marinha.
com meus corais e perigos. mas pelo menos em casa.



I am tired of punching in the wind
I am tired of letting it all in
and I should eat you up and spit you right out
I should not care but I don't know how.